A maioria das pessoas, finda aquela idade dos porquês, pára de fazer perguntas. Há outros, no entanto, para os quais questionar se torna um estilo de vida.
Para esses de nós, a vida molda-se consoante as perguntas que se vão fazendo e as respostas que vão servindo como verdade, porque também ela muda com a maturação da nossa perspectiva.
Obviamente, todo o processo é condicionado pela liberdade de acesso a informação o mais isenta possível.
Mas o que significa isso de isento?
Aos olhos de quem?
Onde assentar o referencial para avaliar desvios?
Como é que o acesso à informação afecta a qualidade da própria informação que se recolhe?
Como nos podemos movimentar-nos em torno disso, sabendo que a teia desta super-organização que nos condiciona está cada vez mais pegajosa?
Como ser livre?
O que é a liberdade?
Essa bola de neve de conhecimento fascina-me. A forma como rola, experiência abaixo, de forma quase imprevisível e, no entanto, brilhantemente inevitável, abrindo as portas da nossa consciência, se tal permitirmos.
“Através dos nossos olhos, o universo toma consciência de si próprio. Através dos nossos ouvidos, o universo ouve a sua harmonia. É através do nosso testemunho que o universo se apercebe da sua glória, da sua magnificência.”
– Alan Watts
Os meus olhos têm prestado atenção a uma multiplicidade de pormenores. Talvez por isso seja geneticamente miúpe, para não perder tanto tempo a esmiuçar, mas tenho sempre usado óculos. Este contrariar da minha natureza não foi uma escolha, mas sim um condicionamento entre tantos outros inconscientes.
O processo de construção desta Clara que sou hoje tem sido uma viagem pouco ortodoxa. Talvez porque a Clara seja uma perspectiva pouco ortodoxa do universo sobre si mesmo. E porque sinto que tenho a responsabilidade de me realizar, para devolver ao universo o investimento energético que em mim fez, quero viver r.existindo.
